Três projetos da educação de Campo Bom são destaque no Salão Jovem da UFRGS

Dois projetos da EMEF Morada do Sol e um da EMEF CEI Cívico-Cidadã receberam destaque no 21º Salão UFRGS Jovem, um importante reconhecimento que evidencia o talento, a criatividade, a dedicação e o compromisso dos alunos da rede municipal de ensino com a pesquisa e a produção do conhecimento.

O projeto “O amor não machuca: a construção silenciosa da violência contra meninas”, apresentado pelas estudantes Larissa Gabriely Machado, Yohana Wagner e Gabriela de Freitas Marciano, sob orientação das professoras Vitória Duarte Wingert e Taís Dassoler, da EMEF Morada do Sol, transforma a investigação sobre a violência de gênero na adolescência em produtos educativos, interativos e autorais voltados à prevenção e à conscientização. Entre as produções desenvolvidas estão jogos de tabuleiro que estimulam a reflexão e o diálogo sobre comportamentos abusivos, o Violentômetro (ferramenta visual que auxilia na identificação e compreensão dos diferentes sinais e níveis de violência), uma revista educativa e um aplicativo voltado à identificação de sinais de relacionamentos abusivos na adolescência. Cada produto foi pensado para aproximar o conhecimento científico da realidade juvenil, utilizando linguagens acessíveis e estratégias criativas para problematizar comportamentos frequentemente confundidos com demonstrações de amor, como ciúme excessivo, controle, manipulação e restrição da liberdade. Ao unir pesquisa, tecnologia, gamificação e produção autoral, as estudantes transformam conhecimento em instrumentos concretos de prevenção, fortalecendo a autonomia dos adolescentes e contribuindo para a construção de relações baseadas no respeito, na liberdade e na equidade de gênero. O projeto reafirma o protagonismo estudantil como potência de transformação social e demonstra que a educação pode ajudar a reconhecer a violência antes que ela seja naturalizada.

O outro projeto da Morada do Sol, “Espelho, espelho meu: quem dita quem sou eu?”, desenvolvido por Laura Rafaela Weiss de Oliveira e Ágatha Alvarena da Rocha Kayser, sob orientação da professora Vitória Duarte Wingert, transforma a investigação sobre padrões de beleza, autoestima e influência das redes sociais em produtos autorais de conscientização e intervenção social. Por meio da produção de materiais criativos, como cartas reflexivas, podcast, mural, ensaios e produções escritas, as estudantes provocam a comunidade escolar a questionar os padrões estéticos impostos socialmente e seus impactos na construção das identidades juvenis. Os produtos desenvolvidos não se limitam a apresentar resultados científicos: convidam o público a refletir sobre o próprio olhar, reconhecer a diversidade dos corpos e desconstruir padrões que alimentam inseguranças e exclusões. O projeto evidencia como a pesquisa escolar pode ultrapassar os limites da sala de aula e transformar perguntas dos estudantes em conhecimento, autoria e ação no mundo.

Já a EMEF CEI Cívico-Cidadã conquistou destaque na área de Ciências da Natureza e suas Tecnologias, com o projeto “Além das enchentes: o que podemos aprender sobre responsabilidade socioambiental em Campo Bom?”. A pesquisa foi desenvolvida pelos estudantes Asafe Rossetto de Mello, Giovana de Oliveira Sehn, Lívia Shilling e Luiza Staudt dos Santos, sob orientação das professoras Natalia Braum e Raquel Beatriz Bergmann Kunst. O trabalho apresentou importantes reflexões sobre o papel do poder público, das empresas e da comunidade no enfrentamento dos desafios climáticos atuais. Como um dos principais resultados da pesquisa, foi criado na escola o grupo MODEC (Monitores de Defesa Climática), que tem como objetivo promover e implementar ações de conscientização e práticas socioambientais capazes de contribuir para a prevenção e a redução dos impactos das mudanças climáticas.

Para a secretária Municipal de Educação e Cultura, Mara Daubermann, ter representantes campo-bonenses alcançando esse reconhecimento demonstra a força da educação municipal e a importância de incentivar a iniciação científica, a curiosidade, o pensamento crítico e o protagonismo estudantil. “Parabenizamos todos os pesquisadores, estudantes e professores orientadores envolvidos, que, com empenho, dedicação e espírito investigativo, representam tão bem nossa cidade e mostram que a educação transforma ideias em conhecimento e possibilidades para o futuro. Campo Bom se orgulha de vocês e celebra cada conquista”, observa a secretária.

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